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Relação a dois

RELAÇÃO A DOIS

Todas pessoas esperam encontrar a sua cara-metade e que as suas relações sejam excelentes e duradouras. O problema é que nenhum relacionamento é perfeito! São estas expetativas que geram ansiedade e frustração no casal.

Casamento é uma construção

Ao longo do século XX, as investigações sobre o relacionamento conjugal têm demonstrado que esta relação só é mantida se houver um trabalho em equipa, muito mais que a questão, tantas vezes levada ao extremo, da escolha do parceiro certo. O casamento/união envolve duas pessoas, cada uma com um conjunto de vivências prévias e inúmeros fatores que se interrelacionam.

Considerando o amor uma ação, este pressupõe trabalho para sobreviver. O relacionamento a dois implica parceria, uma construção diária baseada na dinâmica da interação, tornando-se num espaço que gera satisfação e afeto, mas também frustração e desapontamento, que não são mais que oportunidades de aprendizagem únicas a dois.

Tomar a decisão de viver a dois implica aceitar as diferenças e aproveitar as semelhanças. Dificilmente uma pessoa encontrará alguém que preencha todos os seus critérios, assim são necessárias concessões para a manutenção do relacionamento.

Os casais satisfeitos são os que conseguem ter um casamento emocionalmente inteligente: mantêm uma ligação emocional, impedem que pensamentos e sentimentos negativos anulem os positivos, mudam papéis e regras e desenvolvem padrões de comunicação adequados ao longo da vida e perante situações de crise.

Cara-metade

Parece que é preciso a união com alguém para encontrar felicidade e paz. Muitas vezes uma vida a dois inicia-se com a crença ilusória que o outro deve satisfazer-nos inteiramente. Ninguém existe com a missão de atender somente as nossas expectativas e necessidades.

O amor apaga-se rapidamente quando a pessoa fica presa à ideia de que o outro a preencherá eternamente e a salvará, ora esta é a sua missão. Antes de alguém o amar é importante amar-se (quando se exige muito do outro, isto pode representar uma falta de amor próprio).

O objetivo no caminho de uma relação saudável é partilhar bons momentos e encontrar o bem-estar mútuo. Responsabilizar o outro pela sua felicidade, escolhas e derrotas, compromete o seu dever de ser autor da sua própria história. Quando for responsável por si, deixa de ser vítima do destino.

A ideia de existir uma cara-metade, ou príncipe ou princesa encantado/a, impede o casal de resolver as inevitáveis dificuldades e conflitos de uma vida a dois. O outro não precisa ser a sua metade, mas sim uma parte que o agrega e que o torna uma pessoa melhor. É preciso aprender a não depender de alguém para ser feliz.

Assim, a cara-metade está no exterior, mas dentro de si.

 

Comunicação no casal

“(…)as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.”  Nietzsche

Muitos dos problemas entre casais são atribuídos a bloqueios na comunicação. É comum existirem momentos em que as questões de comunicação refletem a insatisfação e desesperança na relação (“Não sei o que sente, o que pensa”; “Nós já não falamos um com o outro”). É importante criar pontos de expressão e partilha para uma entendimento eficaz.

Para construir um mundo comum, o casal tem de conversar e negociar, priorizando os interesses comuns e não os individuais. Em vez de criticar o outro e a relação em si e com base num ideal, há que conversar e encontrar formas assertivas de interação que satisfaçam ambos.

As diferenças não devem ser encaradas como negativas, nem os conflitos/discussões como prova de que o relacionamento já não resulta ou que já não existe amor. Mas assumidos como um campo de aprendizagens e renovações. Não devemos ter medo do conflito e da diferença, mas antes analisá-lo para um crescimento individual, do casal em prol de uma estabilidade emocional.

Casamento é uma relação para ser vivida, onde cada um está disponível para a manutenção da relação, por meio do diálogo e da confiança. Não existe um casal ideal! Cada casal constrói-se à sua maneira, com o seu sentido de humor, as suas tristezas, a sua própria identidade.

Auto-conhecimento

A falta de autoconhecimento origina a procura no companheiro de compensações para as próprias dificuldades, gerando deceções e abalando a confiança.

O amor é a base, porém, ninguém pode dar o que não tem e não poderá receber o que não pode dar. A tendência é procurar no outro o que não consegue encontrar em si próprio. Por isso, acusa-se o outro ou deseja-se modificá-lo, sem perceber que ao querer mudar o destino, a transformação deve acontecer, primeiramente, em si.

O fim de um casamento não acontece de uma hora para outra, é um longo processo em que ambos contribuíram para esse desfecho. A infelicidade numa relação não é necessariamente o erro na escolha do companheiro, mas a incapacidade de ambos se conhecerem verdadeiramente e conseguirem atingir o equilíbrio afetivo.

O início de um casamento exige o exercício da alteridade, onde cada um aprende a ver-se com os olhos do outro e depende da sinceridade de um para o outro. Esta é a condição necessária para o casamento poder resistir às mudanças e exigências naturais.

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