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Projeção

A Projeção

 

Nós reagimos não ao mundo, mas à nossa representação inconsciente desse mundo. Aquilo que consideramos existir lá fora, muitas das vezes é uma parte do que somos, aquela parte que anda à solta e assumimos categoricamente que não nos pertence.

Está a olhar para o espelho e não gosta do que vê! Qual será a forma mais rápida de resolver essa situação e acabar com a sua tristeza? Provavelmente é fechar os olhos e não ver o seu braço a virar o espelho em direção a outra pessoa. Abre os olhos e respira de alívio, afinal não é o seu reflexo!

A projeção trata-se de um mecanismo de defesa através do qual o indivíduo atribui a outros os comportamentos, atitudes, sentimentos ou emoções que percebe que são inaceitáveis ou indesejados para si e para a sociedade. Projetar as características e sentimentos negativos é uma maneira de manter preservada a imagem criada para si próprio.

Os Mecanismos de Defesa (conceito que teve origem na psicanálise) têm como objetivo o proteger e garantir a integridade do ego face às angústias com que se confronta.

Segundo Freud (1900), a defesa é a operação pela qual o ego exclui da consciência os conteúdos indesejáveis, protegendo o aparelho psíquico. O ego mobiliza estes mecanismos, que suprimem ou dissimulam a perceção do perigo interno, em função de perigos reais ou imaginários localizados no mundo exterior.

A projeção, tal como qualquer outro mecanismo de defesa, faz parte de um sistema de adaptação emocional. A projeção reduz a ansiedade pois permite a expressão de impulsos inconscientes, fazendo com que a mente consciente não os reconheça. É difícil assumir-se fracassado, infiel, mentiroso e ser alvo de rejeição, mas se o mal residir no outro…

Estes conteúdos internos aparecem de forma projetada como se realmente estivessem localizados no mundo exterior e como ocorrem de forma inconsciente e não intencional, a pessoa, quando confrontada com esta situação, rejeita veemente tal característica em si.

A projeção pode ser uma ferramenta de autoconhecimento, quando começar a questionar os julgamentos que faz do outro.

Todos os excessos, por algo ou alguém, contêm boas doses de projeção. A intensidade emocional em discussões dão pistas para percebermos a entrada em ação deste mecanismo. Por isso tente estar atento àquilo que o tira do “sério” e pense no porquê de o estar a afetá-lo tanto?

Por exemplo, o desejo inconsciente de ir passar o fim-de-semana deixando os filhos ou de comprar um carro novo, gera críticas exageradas a quem fez isso. Ou a frustração e medo de admitir conscientemente o próprio fracasso profissional gera projeções das falhas nos chefes ou colegas.

As pessoas que utilizam frequentemente este e outros mecanismos possuem pouca consciência de si e por isso reagem à vida de forma automática e sem perceber os verdadeiros motivos por trás das suas reações.

A retirada gradual das projeções é uma etapa importante para o autoconhecimento, saber o que reside em si é um passo em direção a uma vida mais realizada. É crucial substituir a projeção pela reflexão, isto é, voltar-se para interior e começar por aceitar-se, o bom e o mau.

Isto permite uma maior liberdade de ação, e é aqui que a mudança inicia-se. Se não reconhecermos o que somos certamente não seremos capazes de atingir o que realmente queremos: felicidade.

 

“ Quanto mais a pessoa se conhece e por conseguinte, menos faz projeções sobre os outros, mais pode se relacionar consigo mesma e com as outras pessoas de maneira mais objetiva, genuína e sem ilusões. Todo o progresso realizado na compreensão mútua e na melhora das relações entre as pessoas depende da retirada das projeções”.

Marie-Louise von Franz

 

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