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Birras

As birras são naturais, saudáveis e inevitáveis, elas fazem parte do desenvolvimento normal da criança.

Respire: Inspire, expire, inspire, expire…e principalmente, não se penalize!

As birras são passageiras e pode controlá-las!

As birras são manifestações das emoções, sentimentos, vontades e necessidades da criança. Surgem normalmente por volta de 1 ano e começam a ser menos comuns por volta dos 4 anos, à medida que ela aprende outras formas de resolução de problemas. Este comportamento infantil difere de criança para criança, aquelas com um temperamento irrequieto e/ou dificuldades de adaptação às mudanças, contestam mais os limites e as regras impostas.

Nesta idade a identidade da criança está a constituir-se e a vivência de frustrações é uma constante. Surge o stress que não é mais que uma reação do organismo às situações difíceis e que se pode manifestar através das birras. As crianças que não reconhecem o que estão a sentir acabam rotuladas como birrentas, quando apenas estão a sofrer devido ao stress excessivo.

Os pais não devem assustar-se com as birras mas tentar diminuir a sua frequência e intensidade. Podem ajudar a criança a aprender formas mais adequadas para expressar a sua vontade e desejos, sem renunciar à sua crescente autonomia.

O objetivo dos pais é educar as crianças emocionalmente e para isso não devem evitar que elas sintam emoções negativas – em vez de as protegerem, estão a transformá-las em seres frágeis, devendo apoiá-las na aprendizagem de estratégias que lhes permitam enfrentar os stressores da vida de uma forma mais ajustada e menos penosa.

As birras podem ser aproveitadas para ensinar e ajudar a criança a encontrar outras formas de se controlar e tolerar a frustração, ela tem de entender que a birra não é o meio para conseguir o que quer (as birras ao tornar-se um hábito para a resolução de problemas, pode prologar-se até à vida adulta).

A criança precisa aprender a lidar com as contrariedades e saber explorar limites.

Isto só acontece com liberdade, disciplina e muito afeto, só assim se consegue transformar crianças em adultos maduros, autónomos e confiantes.

Para refletir:

  1. A sensação de segurança de uma criança baseia-se no amor e na autoridade demonstrada pelos pais (a manipulação e transgressão das regras aumentam quando se sente insegura).
  2. A autoridade parental deve ser regulada, flexível e adequada ao nível de desenvolvimento da criança.
  3. A definição de limites são essenciais para promover a autonomia, sendo que as regras devem ser explicadas às crianças, sempre que possível.
  4. A promoção da autonomia da criança passa por utilizar estratégias diárias, tais como: deixá-la decidir, perguntar a sua opinião, dar-lhe responsabilidades, ensinar-lhe coisas novas, mostrar-lhe que confia nela.
  5. A criança está a aprender, não a culpabilize e mostre-lhe que gosta dela (apesar da birra).
  6. Momentos de envolvimento e atenção positiva entre pais e filhos ajudam a criança a sentir-se valorizada, potenciando a manifestação de comportamentos adequados. Por ex: no fim da birra converse sobre o que aconteceu, mostre-lhe que entendeu e ajude-a a colocar os sentimentos em palavras.

Dicas  (por tentativa e erro, acabará por descobrir o que funcionará melhor para seu filho).

  • Partilhe com a criança as regras, use um tom de voz calmo e firme e recorra a uma linguagem adequada à sua idade.
  • Dê instruções curtas/claras e tempo para cumprir o pedido.
  • Estabeleça rotinas e reveja os seus horários.
  • Evite o cansaço ou o excesso de entusiasmo da criança em situações em que ela tem de estar calma.
  • Certifique que as contingências são sempre as mesmas (premiar e castigar sempre as mesmas condutas).
  • Defina limites que conseguirá fazer respeitar.
  • Explore a origem do mau comportamento.
  • Recorra ao bom humor e imaginação para manter a calma.
  • Reage à birra de acordo com o temperamento da criança.
  • Evite rir quando a criança diz/faz algo que transgrida as regras.
  • Não insulte a criança, qualifique é a ação.
  • Utilize a distração para desviar a atenção da criança no “problema”
  • Ignore a birra (inicialmente ela irá aumentar de intensidade), volte-lhe a dar atenção quando a birra terminar e não entre em negociações “a quente”, pois a criança não vai conseguir prestar atenção.
  • Deixe a criança sozinha (com a sua supervisão) num sítio sem estímulos (nem escuro, nem perigoso), para que possa acalmar e refletir (1minuto para cada ano da criança).
  • Use a perda de privilégios, mas não “ameace” com algo que não vai conseguir cumprir.

Nunca se esqueça é de dar afeto aos seus filhos e dialogar com eles …

 “As birras fazem bem à saúde. Aumentam o débito pulmonar. São sinónimo de paixão!

Eduardo Sá

 

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