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Workaholic

WORKAHOLIC – viciado “respeitável”

A palavra workaholic tem origem na expressão americana alcoholic, que significa viciado em álcool, tendo sido usada pela primeira vez em 1968 pelo psicólogo americano Wayne Oates que definiu workaholism como um vício, compulsão ou necessidade incontrolável para trabalhar incessantemente.

Para alguns teóricos da psicologia organizacional ao longo do tempo foi relativizado este fenómeno comportamental pois um workaholic é visto como um profissional respeitável do séc XXI ao promover o crescimento da entidade para a qual trabalha. No entanto, estudos demonstram que o excesso de horas de trabalho não estimula a produtividade, podendo até reduzi-la (ex: maior propensão a ter déficit de atenção, transtorno obsessivo-compulsivo e depressão).

No entanto nem todo aquele que trabalha de forma excessiva é um workaholic. Existe aquele que trabalha demasiado mas distingue as fronteiras entre a vida profissional e a pessoal e consegue viver normalmente após o trabalho, ao contrário daquele que não tem vida pessoal nem social.

Atualmente estima-se que o número de trabalhadores compulsivos tenha aumentado, justificado pela exigências laborais e o advento das novas tecnologias que tornam difícil ao profissional “desligar-se” do trabalho. Mas tem havido uma crescente preocupação para esbater este tipo de comportamento, por exemplo, França introduziu, a 1 de janeiro deste ano, o direito legal a “desligar-se” fora do horário de trabalho – os colaboradores de uma empresa podem ignorar os e-mails recebidos fora dos horários de expediente. A medida foi criada com o objetivo de atenuar os impactos na saúde e na vida privada, colocando limites entre o tempo de trabalho e os momentos de descanso.

Considera-se o workaholismo como um comportamento que a longo prazo provoca grandes prejuízos na vida das pessoas:

  • efeitos negativos na saúde física (elevadas taxas de glicose no sangue, pressão alta, queixas fisiológicas como perda de apetite e dores musculares);
  • cansaço emocional;
  • afastamento familiar e social;
  • afastamento do trabalho.

É neste contexto que surge o síndrome de burnout, que consiste num distúrbio psíquico antecedido de esgotamento físico e mental.

Na origem deste tipo de comportamento incontrolável, podem estar:

  • traços da personalidade (ex: uma pessoa perfecionista que não consegue cumprir prazos por estar demasiado preocupada com os detalhes);
  • experiências socioculturais durante a vida (existência de reforços positivos focados neste tipo de comportamento);
  • procura de gratificações profissionais não obtidas noutras atividades;
  • necessidade de realização;
  • afastamento socialmente aceite do contexto familiar;
  • fuga a problemas não resolvidos noutras esferas da vida;
  • exigências da própria empresa.

É necessário intervir quando o excesso de trabalho interfere noutras áreas da vida e leva ao isolamento, pois só se alcança uma vida saudável quando existe o equilíbrio da área social, profissional e afetiva.

A primeira característica do vício ou dependência é a perda de controlo. O trabalhador compulsivo sente continuamente necessidade de direcionar a sua existência e energia para o trabalho. O primeiro passo para a resolução desta dependência é admitir que perdeu o controlo e que está a trocar as prioridades, ou seja, aceitar que tem um problema.

Atualmente as organizações estão altamente competitivas e preocupadas em obter resultados/lucro e muitas até encaram como positivo o fato de terem colaboradores que sofrem de workaholism. No entanto, para o profissional, a dedicação extrema ao trabalho, sem qualquer equilíbrio entre vida profissional e pessoal torna-se um risco para sua saúde / bem estar, aumentando as probabilidades de lhe ser diagnosticado o síndrome de burnout.

 

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