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26 Janeiro, 2018

Amor Patológico

Amar pode tornar-se uma dependência! 

 “As relações são como uma dança, com energia visível a correr de um parceiro para o outro. Algumas relações são uma dança de morte lenta e obscura.” Colette Dowling

Kant (1797) insistiu que o “amor patológico” (amor que envolve uma emoção passiva) era inferior ao “amor prático”, uma ligação ativa ao bem dos outros, incluindo emoções de respeito e preocupação.

O amor patológico surge quando se prioriza as atividades de cuidar e prestar atenção excessivamente e sem controlo ao ser amado, com a intenção de receber o seu afeto e evitar a perda, gerando danos emocionais ao próprio e aos que estão próximos. Nem sempre a pessoa identifica o problema, mesmo diante de evidências concretas de que está sendo prejudicial para alguém.
O amor levado a um extremo pode conduzir ao sofrimento e descontrolo, que pode ser considerado uma dependência emocional (“O amor é cego.”), pois depende-se do outro e da relação para encontrar um sentido na vida.  Este tipo de relacionamento é uma obsessão gradual em que a pessoa deixa de viver, tornando-se o parceiro o único foco da sua vida. Estas pessoas tornam-se impulsivas e compulsivas, fazem tudo para manter e controlar a relação, nada pode falhar, sentindo sempre um medo constante de perder o outro.

Estudos constam que o padrão de Amor Patológico, afeta mais a população feminina. As mulheres tendem a enfatizar mais os comportamentos amorosos, considerando o relacionamento como uma prioridade da vida. Mesmo em prejuízo emocional, sentem dificuldades em desligar-se da relação e relacionam a intensidade do sentimento com o nível de sofrimento e sacrifício.

Caraterísticas do amor patológico:

  • Abandono de interesses e isolamento.
  • Preocupação excessiva e sofrimento com a ausência do outro (ex. excesso de contatos).
  • Controlo e ciúme excessivo.
  • Atração por discussões e dramas (antecipação de situações catastróficas e negativas).
  • Sentimentos de abandono, solidão e insegurança na relação (medo de ficar sozinho).
  • Depressão, ansiedade, alteração padrões de sono, distúrbios alimentares.
  • Abuso físico e/ou emocional.
  • Obrigação de mudar o outro à imagem dos padrões idealizados.
  • Procura de “milagres” externos para resolver os problemas na relação.
  • Exigências e promessas para receber amor incondicional.
  • Jogos de poder (manipulação) para manter a desigualdade na relação.

A dependência emocional é progressiva, isto é, à medida que que há mais disfuncionalidades, a pessoa reage de forma mais intensa à pressão, tornando os comportamentos destrutivos na relação em hábitos/padrões de pensar, sentir e agir geradores de mais sofrimento. Este tipo de relacionamento pode ser equivalente à perda de auto-estima e da capacidade de racionalização e juízo critico.

O autoconhecimento é fundamental para o melhor coping em situações de dependência. Podemos considerar que o dependente emocional sente medo de trabalhar o seu o próprio “vazio”: inconscientemente procura no exterior à aprovação e amor que não existe dentro de si e, em simultâneo e de forma paradoxal, temem a intimidade e a partilha de sentimentos.

As pessoas com este tipo de problema têm dificuldades em:

  • reconhecer as suas emoções, necessidades e vontades;
  • estabelecer limites saudáveis nos relacionamentos afetivos;
  • reconhecer e responsabilizar-se pelo comportamento disfuncional;
  • controlar-se emocionalmente e comunicar de forma assertiva;
  • valorizar-se e sentir-se merecedor de amor.

Não podemos viver na fantasia de que existem pessoas perfeitas e que os relacionamentos são como os “contos de fadas”, pois todas as relações sofrem dificuldades e situações de crise. O que promove a relação amorosa saudável são a partilha de valores, como a confiança, intimidade, liberdade, respeito e desapego, sendo aqui que reside a chave para o sucesso de uma relação a dois.

Um relacionamento saudável é uma parceria sentimental que visa o bem-estar dos dois, onde ambos crescem dentro da relação e em que cada um tem em consideração as particularidades do outro. Nem um individualismo exacerbado, nem a abnegação de si devem estar presentes numa relação.

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